Um dos maiores obstáculos de quem está começando a montar ou entender o próprio setup é a quantidade de siglas e termos técnicos que parecem exigir um curso inteiro para decifrar. Este glossário reúne os termos que mais aparecem quando você pesquisa hardware, periféricos ou monitores, explicados sem jargão desnecessário.
Processador e placa-mãe
CPU (Central Processing Unit): o processador, o “cérebro” do computador que executa as instruções. Quanto mais núcleos e maior a frequência (medida em GHz), mais tarefas simultâneas ele processa e mais rápido.
Núcleos e Threads: núcleos são unidades de processamento físicas dentro do processador. Threads são “linhas” de execução que cada núcleo pode gerenciar — muitos processadores modernos rodam 2 threads por núcleo (hyper-threading/SMT), simulando mais poder de processamento simultâneo.
Socket: o formato de encaixe do processador na placa-mãe. Processador e placa-mãe precisam ter o mesmo socket (exemplos: AM4, AM5 para AMD; LGA1700 para Intel) para serem compatíveis.
Chipset: o “controlador de tráfego” da placa-mãe, que determina quais recursos estão disponíveis (quantidade de portas USB, suporte a overclock, etc).
Memória e armazenamento
RAM (Random Access Memory): memória de curto prazo que o computador usa para acessar dados rapidamente enquanto está ligado. Mais RAM permite rodar mais programas/abas simultaneamente sem lentidão.
MHz (na memória RAM): a velocidade da memória. Números maiores indicam transferência de dados mais rápida entre RAM e processador.
SSD (Solid State Drive): armazenamento sem partes móveis, muito mais rápido que HDs tradicionais para abrir programas e carregar jogos.
NVMe: um tipo de conexão de SSD (via slot M.2) muito mais rápido que SSDs SATA tradicionais, por usar o barramento PCIe diretamente.
HDD (Hard Disk Drive): armazenamento mecânico tradicional, mais lento que SSD mas geralmente mais barato por GB — ainda usado para armazenar arquivos grandes que não precisam de acesso rápido.
Placa de vídeo
GPU (Graphics Processing Unit): o processador especializado em renderizar gráficos, essencial para jogos e edição de vídeo/imagem.
VRAM: a memória dedicada da placa de vídeo, separada da RAM do sistema. Mais VRAM permite texturas de maior qualidade e resoluções mais altas sem gargalo.
Ray Tracing: tecnologia que simula o comportamento real da luz na cena renderizada, gerando reflexos e sombras mais realistas — exige placas de vídeo com suporte específico e tem custo de desempenho.
DLSS / FSR: tecnologias (da NVIDIA e AMD, respectivamente) que usam inteligência artificial para renderizar em resolução menor e “escalar” para uma resolução maior, ganhando desempenho com perda mínima de qualidade visual.
Monitores
Taxa de atualização (Hz): quantas vezes por segundo a imagem do monitor é atualizada. 60Hz é o padrão básico; 144Hz, 165Hz e 240Hz são comuns em monitores gamer, entregando movimento mais fluido.
Tempo de resposta (ms): quanto tempo um pixel leva para mudar de cor. Valores mais baixos reduzem o efeito de “borrão” (ghosting) em movimento rápido.
Painel IPS, VA e TN: os três tipos principais de painel de monitor. IPS tem melhor cor e ângulo de visão; VA tem melhor contraste nativo; TN é o mais barato e rápido, mas com pior qualidade de imagem.
FreeSync / G-Sync: tecnologias que sincronizam a taxa de atualização do monitor com a taxa de quadros da placa de vídeo, eliminando o “tearing” (imagem cortada horizontalmente).
Periféricos
DPI (Dots Per Inch): a sensibilidade do sensor do mouse — quanto maior, mais a seta se move na tela para o mesmo movimento físico da mão.
Polling Rate: a frequência com que o mouse “reporta” sua posição ao computador, medida em Hz. Valores mais altos (500Hz, 1000Hz) reduzem a latência de resposta.
Switch mecânico: o mecanismo por baixo de cada tecla de um teclado mecânico. Diferentes cores de switch (red, brown, blue, etc.) indicam diferentes sensações de toque e nível de ruído.
Anti-ghosting / N-Key Rollover: a capacidade do teclado de reconhecer múltiplas teclas pressionadas ao mesmo tempo corretamente, sem “perder” nenhuma.
Fonte e energia
Wattagem (W): a capacidade de fornecimento de energia da fonte. Precisa ser suficiente para todos os componentes do PC funcionando no pico de uso.
Certificação 80 Plus: um selo que indica a eficiência energética da fonte (Bronze, Silver, Gold, Platinum, Titanium) — quanto mais alto, menos energia é desperdiçada em forma de calor.
Modular / Semi-modular: se os cabos da fonte podem ser desconectados (modular) ou vêm fixos (não-modular). Fontes modulares facilitam a organização de cabos dentro do gabinete.
Conectividade
Bluetooth: tecnologia de conexão sem fio de curto alcance, usada em mouses, teclados e fones sem fio. Versões mais recentes (5.0+) oferecem menor latência e maior estabilidade que versões antigas.
Dongle USB / Receptor 2.4GHz: um tipo de conexão sem fio dedicada (não Bluetooth) usada por muitos periféricos gamers, geralmente com latência menor e mais estável que Bluetooth, ao custo de ocupar uma porta USB.
USB-C: um formato de conector USB reversível (encaixa dos dois lados), cada vez mais comum em periféricos e notebooks modernos, capaz de transmitir dados, energia e até vídeo dependendo do padrão suportado.
Refrigeração
Air Cooler: sistema de refrigeração do processador baseado em dissipador de metal e ventoinha(s), sem uso de líquido.
Water Cooler / AIO (All-in-One): sistema de refrigeração líquida fechado e pré-montado, geralmente mais eficiente que air coolers em processadores que geram mais calor.
TDP (Thermal Design Power): a quantidade de calor, em watts, que um componente é projetado para dissipar — usado como referência para escolher um cooler compatível.
Como usar este glossário
Não é preciso decorar tudo isso de uma vez — a maioria das pessoas aprende esses termos aos poucos, conforme pesquisa uma peça específica. Guarde este glossário como referência para consultar sempre que aparecer uma sigla nova durante sua pesquisa.

